Pregação – Uma Aliança Superior | Hebreus 10 (Culto de Ceia)

Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.

Hebreus 10:10

INTRODUÇÃO

A oferta de Cristo foi um sacrifício feito de uma vez por todas, pois é mais do que suficiente em valor e contrasta com as ofertas e sacrifícios que eram feitos sob a antiga aliança, que tinham como objetivo apenas de revelar a seriedade da condição pecaminosa do ser humano, a necessidade de alguém para salvá-lo e a incapacidade de ajuda de qualquer coisa criada. O Criador precisava resolver isso para nós.

Ele não precisava fazer isso por obrigação, mas por nossa necessidade e incapacidade, provada em todo o AT. Já falei algumas vezes aqui neste púlpito que Deus, sendo justo, poderia julgar e condenar todas as almas humanas e enviá-las para o inferno, como sentença justa. Ele não seria nem um milímetro mal por fazer isso. Nada. Nadinha. A justiça é a retribuição posterior daquilo que o julgado fez anteriormente. A medida dela será a medida exata (por isso justiça) dos atos que estão sendo julgados. Se Deus fosse nos dar o que merecíamos, estaríamos condenados pela eternidade.

Mas, Deus não é revelado na Bíblia apenas como justo. Claro que isso já seria suficiente para que Ele fosse eternamente bom, pois quem é justo é bom. Mas, Ele é além disso: Deus é amor (1JO 4.8b).

DESENVOLVIMENTO

Amor e justiça podem, aparentemente se chocar em algumas ações. Se, por amor Deus nos perdoasse de nossos pecados, mediante arrependimento e fé, pela graça, Ele faria um enorme bem, mas não seria justo, uma vez que a punição pelos pecados continuaria sem justiça, sobretudo diante de Sua santidade.

Nós não podíamos pagar um preço de salvação. Então, mesmo que Ele nos punisse, para nós isso não teria um efeito de salvação, apenas de recebimento dos méritos pecadores da humanidade.

Como fazer? O que fazer?

Deus, que além de ser amor e justiça é perfeito, conseguiu resolver isso. Ele foi tanto justo como amoroso.

Alguém teria que se levantar dentre a espécie, os humanos, e se entregar no lugar de todos, se oferecer para pagar pelo pecado de todos. Como um pai ou uma mãe fariam para salvar a vida de seus filhos numa situação de crise, como num sequestro, por exemplo.

O problema, então, não era o plano, mas quem poderia executá-lo, uma vez que todos os seres humanos precisavam ser salvos. Ninguém dentre nós poderia ser salvador, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23).

Amor e justiça agiram juntos na perfeição de Deus, e, além da solução, Ele foi o Solucionador. Ele encarna, na Pessoa do Filho, e se torna um ser humano. Foi tentado a vida inteira, pois era homem, mas sem pecar, pois era Deus. Assim, tínhamos um homem que pudesse nos representar, pois não tinha defeito espiritual ou moral algum. E tínhamos, ainda, Deus, com Seu eterno valor para que este sacrifício não fosse para salvar apenas outra alma, mas todos aqueles que viessem a crer, pela graça.

Tínhamos, portanto, Jesus, com duas naturezas: plenamente homem e plenamente Deus, mas uma única pessoa, que morreu em nosso lugar na cruz, pagando todo o preço do pecado dos homens, tendo tudo despejado sobre si, toda a ira justa do Pai caiu sobre Ele, satisfazendo a Sua justiça divina, em toda a Sua pureza. A morte de Cristo quitou todos os débitos dos pecadores.

Satisfeita a justiça divina, Deus agora derrama do Seu amor. O mesmo Cristo ressuscitou ao terceiro dia, como havia profetizado, e todos aqueles que haveriam de crer para a vida eterna, quando são unidos a Ele na regeneração e conversão, são unidos também a esta ressurreição, a esta nova vida, recebendo agora a porção do Seu amor, amor divino, que nos dá vida e vida em abundância, pois é vida eterna.

Seu amor garantiu que não pagássemos pelos nossos pecados, a fim de irmos para o céu e Sua justiça garantiu que o pecado não ficasse impune. Em Cristo, somente nEle, é que isso foi possível, na encarnação de Deus, o Deus-homem que se entregou por nós.

A Ceia é o momento marcante em que dizemos que a Deus, aos anjos, ao demônios, ao diabo, aos homens e nós mesmos, com absoluta clareza, que continuamos acreditando na Verdade do Evangelho e que o Evangelho continua em nossas vidas; participar da Ceia deve representar sua vontade regenerada clamando cada vez mais por aprofundamento nesta graça que lhe alcançou, que é a santificação, o amadurecimento, o discipulado.

Ceia aponta para amadurecimento, para o desejo de vencer cada vez melhor o pecado que já não reina em nós, por amor a Deus, a fim de não feri-lo, uma vez que entendemos que o pecado insulta a Deus, tanto que, para nos perdoar, Ele não pode deixar o pecado impune, e sacrificou o Seu Filho.

Mas, se continuamos a pecar deliberadamente, terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. O caminho do salvo sempre será o arrependimento e a fé que confia que Jesus é, sempre de novo, suficiente para completar a salvação até aquele dia (Hb 10.39).

“Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus”.

Filipenses 1:6

Por este motivo também, os pastores, que fazem uma obra diferente dos missionários, precisam pregar a Palavra expositivamente aos regenerados.

O missionário prega como um instrumento nas mãos de Deus, para que o Senhor regenere corações por meio do poder da Sua Palavra, pela ação do Espírito Santo. E mostra as pessoas os primeiros passos da vida na Palavra.

O pastor, por sua vez, deve alimentar a alma dos santos com a profundidade para Palavra de Deus. O que o coração regenerado precisa é da luz cada vez mais clara e perfeita para alimentar a Sua fé, e apenas a Palavra de Deus pode fazer isso, e Deus usa o pastor, apesar das imperfeições dele, para este fim, o que exige do pastor cada vez mais dedicação à oração e ao estudo deste livro sagrado.

Os profetas e os apóstolos já escreveram a mensagem de Deus. A etapa agora é expor toda a Verdade que Deus disse, pois ela é o alimento para o coração regenerado – Ele providenciou todas as coisas. O Cristo, o Espírito Santo, a graça que nos deu a fé e a Palavra para que pudéssemos viver a Verdade – não bastasse isso, Ele nos deu a igreja, companheiros de caminhada, amados irmãos que são também instrumentos e meios de graça para nos edificar, encorajar, e juntos servirem na Obra de Cristo, com os dons e a missão de fazer discípulos.

CONCLUSÃO

Tudo isso foi possível porque Jesus trouxe uma nova aliança, que nos permitiu entrar no santuário celestial, como vimos no v. 19. O que era impedido em razão do pecado. Se alguém tentasse isso no santuário temporário e representativo que havia na antiga aliança, seria punido com a morte. Naquele tempo, mesmo o sumo sacerdote, depois de todo um ritual de purificação, precisava entrar com uma corda amarrada a si, pois, se morresse lá dentro, teria que ser puxado pelo lado de fora, uma vez que qualquer pessoa que entrasse também seria morta.

Na aliança superior não há corda, não há ritual, não há morte, tudo pelos méritos de Cristo. O vinho novo. A antiga aliança mostra o estado decadente do ser humano, a nova aliança, a justiça dEle que recebemos não por mérito, mas porque fomos amados de tal maneira, que todas as coisas passaram, a condenação da Lei, os cerimoniais, as obras… tudo isso era apenas sombra do que haveria de vir, para que, quando Cristo consumasse a Sua obra, duas coisas ficassem claras na história da redenção: o estado real do ser humano, tanto de condenação quanto a incapacidade de se salvar… e a justiça e amor de Deus pelos pecadores. E estas duas realidades apontam cabalmente para a glória de Deus e a bênção recebida pelos homens, pela eficácia do sangue de Cristo.

Podemos nos aproximar com um coração sincero, sem duvidar, sem medo, pois agora o coração que temos é novo, Ele que nos deu. Um coração que luta contra o pecado até a batalha final que é a morte, quando sairemos vitoriosos para sempre.

Ame a Deus, enfrente aqui as adversidades agarrado a estas verdades eternas. Sejam as lutas contra o diabo, seja contra o mundo que nos machuca.

Não importa se você tem muito ou pouco, se está com tudo resolvido nos seus negócios da vida nesta terra… nada poderá lhe separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Peça ajuda para as suas necessidades terrenas, faça pedidos, humilhe-se, apresente suas necessidades, mas depois de entender a grandiosa realidade espiritual que já tem resolvida para sempre.

Que possamos cear meditando em todas essas verdades e buscando sabedoria para viver, em Nome de Jesus, amém.

E que Deus ajude, em Nome de Jesus, amém!

Pr. Leandro Hüttl

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